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O início da eletricidade do Brasil

Na hora de comprar aparelhos eletrônicos a pergunta mais recorrente é: 110v ou 220v? Se você já estragou algum aparelho eletrônico porque o ligou na tomada com voltagem errada, já deve ter se perguntado por que existem duas opções de voltagem para as instalações elétricas, 110V e 220V, ao invés de um padrão único.

Mas por que existe essa diferenciação?

Pois bem … A explicação é histórica, uma vez que a industrialização de cada região foi o fator influenciador. O engenheiro eletricista Hilton Moreno, consultor técnico do Procobre (Instituto Brasileiro do Cobre), explica que as diferentes voltagens tiveram origem no começo da implantação da eletricidade no Brasil, no início do século 20. “No início da eletrificação não existiam empresas nacionais e nós sofremos a influência de empresas dos EUA e da Europa. As norte-americanas usavam a voltagem 110 e as europeias, 220″, lembra o engenheiro.

As cidades com alto índice de empresas europeias adotaram o 220v, como é o caso de Santa Catarina, que concentra um grande número de descendentes de alemães, italianos e portugueses. Já o sudeste usa o 110v por ser um pólo importador de equipamentos eletrônicos norte-americanos, que utilizam essa tensão, além do fato de que a sua rede elétrica foi implantada por uma empresa canadense.

Ele menciona também que, como as primeiras cidades a receberem instalações elétricas foram as da região sudeste, a existência de duas opções está praticamente restrita a algumas regiões destes estados. “Na época que se definiu o padrão, estudos mostraram que o custo para se converter as instalações diferentes para uma só era absurdamente inviável”, relata Hilton Moreno.

Nelson Volyk, gerente de engenharia e qualidade da SIL Fios e Cabos Elétricos, afirma que dependendo da região do Brasil, as residências recebem a eletricidade com tensão de 110V, 115V, 127V e 220V, ou unindo 220V com uma das outras três tensões citadas, sendo chamados de sistema monofásico ou monofásico a dois ou três condutores. “A potência elétrica nos diversos países do mundo é variável, na Europa, por exemplo, a tensão utilizada é de 220V ou 240V”, cita Nelson.

A grosso modo, ou seja, contabilizando a maioria das cidades dos Estados, e levando em consideração que alguns locais oferecem tensão bivolt ou tri, a divisão de voltagem fica assim no nosso país:

 
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Qual voltagem é a melhor e mais econômica?

As instalações com voltagem 110 e 220 têm o mesmo desempenho, consumo de energia de grau de periculosidade. Ou seja, escolher entre uma ou outra não vai acarretar economia na conta de luz, melhor funcionamento dos aparelhos nem mais segurança para a casa. “O consumo de energia é dado pela potência elétrica (Watts) dos aparelhos que estão ligados na instalação e não pela tensão (Volts). Um aquecedor de 1.500W registrará o mesmo nível de consumo numa instalação de 110V ou de 220V”, observa Nelson Volyk. Da mesma forma, levar um choque em qualquer uma das voltagens é igualmente perigoso e capaz de causar morte.

O engenheiro eletricista Hilton Moreno esclarece que a única diferença entre as voltagens está relacionada ao dimensionamento dos componentes da instalação elétrica, já que usar tensão nominal 220V permite que os fios que vão transportar a energia pela residência sejam de calibre menor, isto é, mais finos do que os usados para 110V. “De certa forma, mas não muito significativa, fazer a instalação em 220V sairia um pouco mais barato, porque os fios seriam mais baratos e a mão de obra também, pois dá menos trabalho puxar um fio mais fino”, afirma Hilton.

Ele também explica que no Brasil se convencionou usar 110V para a alimentação de lâmpadas e tomadas, e 220V para equipamentos de alta potência, como ar condicionados, chuveiros e torneiras elétricas.

Nelson Volyk ressalta que a escolha da tensão nominal não é puramente do usuário. “Temos regiões onde a distribuição elétrica é 110V, 115V ou 127V, em outros é 220V e, em outros ainda bifásica, ou seja, 110V, 115V ou 127V e 220V. Portanto, a escolha não é uma opção do usuário. Por isso, a orientação é procurar um profissional que tenha conhecimento da tensão elétrica da região e local onde executará o serviço, pois ele saberá qual é o caso do imóvel do consumidor”, argumenta.

 

Os aparelhos bivolts

Os especialistas defendem que não há problema em ter a instalação de iluminação e tomadas de uso geral em 110V e alguns produtos em 220V, mas é essencial conhecer a voltagem de cada parte da casa. Um equipamento 110V vai sofrer um curto-circuito se ligado em 220V e queimar. Além disso, de acordo com o engenheiro eletricista Hilton Moreno, o acidente pode fazer circular uma corrente de curto-circuito pela instalação elétrica capaz de causar danos em outros aparelhos e até de ocasionar incêndios.

No caso contrário, quando algum eletroeletrônico 220V é ligado em 110V, ele pode não funcionar, mas não sofrer danos ou funcionar com uma performance muito abaixo da esperada.

Muitos dos eletrônicos e eletrodomésticos disponíveis hoje no mercado são bivolts, o que significa que são projetados para funcionar tanto em uma quanto em outra voltagem. Estes aparelhos podem ser bivolts automáticos, quando a próprio equipamento reconhece a voltagem da tomada onde está ligado e se adapta, ou manual, quando uma chave geralmente na parte traseira do equipamento pode ser colocada na posição 110V ou 220V.

Caso você possua aparelhos sem essa flexibilidade, existem equipamentos chamados transformadores usados para adaptar os eletrônicos a voltagens diferentes. Os transformadores têm entrada de energia para 110V e saída para 220V, ou vice-versa, para serem conectados à tomada e ao aparelho cuja voltagem não é compatível com a instalação elétrica da casa.

Hilton Moreno explica que é possível comprar um transformador para cada aparelho ou um equipamento maior que poderá mudar a voltagem de um grupo de tomadas. Ele salienta que nestes casos é muito importante consultar um profissional da área, que vai poder indicar a melhor saída para a residência. O engenheiro ainda comenta que, dependendo do caso, não é raro sair mais barato comprar novos eletroeletrônicos em vez de investir em transformadores.

Quem leva na bagagem um secador de cabelo, chapinha ou ferro de passar roupa deve redobrar a atenção. Esses eletrônicos normalmente funcionam com uma só voltagem e você corre o risco de ver fumaça saindo do aparelho se não verificar antes o sistema adotado no destino. Em caso de voltagem incompatível, será preciso usar um conversor. Pelo menos se não quiser andar com a roupa amassada ou adotar um look com cabelo ao natural. Eletrônicos recarregáveis, como laptops, câmeras fotográficas e telefones celulares, geralmente são bivolts, uma preocupação a menos.

 

Conhecendo mais…

Agora que você já entendeu os motivos das diferenças de voltagens nas cidades brasileiras, veja as diferenças de voltagens pelo mundo. Confira:

 
América do Sul

  • Brasil – Dependendo do Estado, a voltagem é diferente. São Paulo, Rio, Minas Gerais e Bahia adotam o padrão 110 volts. Mesmo assim, algumas cidades paulistas e fluminenses optaram por 220V. Nas capitais, é comum encontrar tomadas 110 e 220 volts. Basta usar a certa para evitar problemas. Os demais Estados ficam em 220V.
  • A maioria dos países utiliza 220 volts, mas há exceções: Colômbia e Equador adotam 120V.

 
América do Norte

  • EUA, Canadá e México adotam a mesma variação, de 110V a 127V.

 
Europa

  • A voltagem está praticamente unificada. Os aparelhos elétricos funcionam com 220 a 240 volts.

 
Oceania

  • Austrália e Nova Zelândia também seguem um só padrão, com voltagem de 230V.

 
Ásia

  • No Japão, a voltagem usada é de 110 volts. China, Hong Kong e Índia adotam 220V.

     

Fonte: FL, Secretaria da Educação, Casa Segura

     

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